
Os processos migratórios contemporâneos raramente se relacionam com os processos migratórios do passado, gerando por vezes a sensação de que hoje vivemos uma movimentação acentuada de migrantes sem precedentes. Contudo, quando ampliamos o espectro dos dados migratórios mundiais notamos que estamos longe do maior momento de migração internacional.
Nos anos 1960 e 1970, muitos portugueses deixaram o país de forma clandestina, atravessando a Espanha a pé ou em veículos improvisados, para escapar à vigilância do regime e buscar melhores condições de vida na França. Eles encontraram oportunidades de trabalho na construção civil, indústria e setor agrícola francês, apesar de muitas vezes enfrentarem condições precárias.
Tiago Cadete abre a sua investigação artística e fala com Joana Sousa Ribeiro (investigadora do CES) contrapondo formas de pesquisa e como tornar visível este tema.
Joana Sousa Ribeiro é investigadora do Centro de Estudos Sociais (linha Europa e o Sul Global: Patrimónios e Diálogos) e doutoranda em Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. A sua tese analisa processos de desqualificação e requalificação profissional de migrantes no sector da saúde. Investiga mobilidade socioprofissional, políticas de admissão e inclusão, migração e saúde, estudos longitudinais e interculturais e cidadania. Coorganizou (2021) Material Politics of Citizenship (Routledge) e co-coordena o ITM do CES.
Contemporary migration processes are rarely connected to those of the past, sometimes creating the impression that we are now experiencing an unprecedented surge in migration. However, when we broaden the scope of global migration data, we realise that we are far from the highest moment of international migration.
In the 1960s and 1970s, many Portuguese people left the country clandestinely, crossing Spain on foot or in improvised vehicles in order to evade the regime’s surveillance and seek better living conditions in France. They found work opportunities in the French construction, industrial and agricultural sectors, although they often faced precarious conditions.
Tiago Cadete opens up his artistic research and enters into conversation with the academic Joana Sousa Ribeiro (researcher at CES- Centre for Social Studies at Coimbra University), contrasting research methodologies and exploring how to make this subject visible.
Joana Sousa Ribeiro is a researcher at the Centre for Social Studies (Europe and the Global South: Heritages and Dialogues research line) and a PhD candidate in Sociology at the Faculty of Economics of the University of Coimbra. Her thesis analyses processes of professional deskilling and reskilling among migrants in the health sector. Her research focuses on socio-professional mobility, admission and inclusion policies, migration and health, longitudinal and intercultural studies, and citizenship. She co-edited (2021) Material Politics of Citizenship (Routledge) and co-coordinates the ITM at CES.
18h00