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©Michiel Devijver
Após um ano em que a palavra mais ouvida foi Covid-19 e pandemia, numa altura em que diversas guerras preocupam o mundo na eminência de um colapso ecológico irreversível, além da estafa dos tempos rápidos exigidos pela necessidade de produzirmos para sermos visíveis, ao querer colocar em discussão este tema, pretendemos chamar a atenção para as situações de vulnerabilidade que existem no mundo e nas desigualdades que podem provocar no que concerne às relações intersociais.

Pensar que, tal como diz o filósofo João Maria André “A vulnerabilidade afeta o ser humano como um todo, tanto na sua dimensão física e corpórea como na sua dimensão psíquica e espiritual. Na dor e nas paixões não há o corpo de um lado e o espírito do outro, mas corpo e espírito são um só e é por isso que se ama também com o corpo e se sofre também com o pensamento, indiciando a existência em nós de uma razão pática, mais do que uma razão pura, em que pensamento e afetividade se intersecionam no corpo que somos e com o qual nos dizemos nas vicissitudes da nossa identidade”.
Queremos, assim, discutir o cuidado de uma forma plural e holística, colocando a atenção nas interdependências existentes entre todos e promovendo, assim, a curiosidade pelas práticas que nos permitam nos relacionar com lógicas de existências distintas.

A programação desta edição é pensada com esse mesmo senso de cuidado, colocando em evidência a necessidade de reconhecer, cultivar e sustentar um espaço de convivência onde diferentes mundos (vegetal, animal, onírico, espiritual, humano, etc) se possam manifestar nos seus próprios termos, sem se prejudicarem.

A seleção dos artistas e suas obras foi pensada de acordo com a sua capacidade de fornecer discursos críticos e de trazer distintas perspetivas sobre o tema à cidade.